...as notícias nos dizem algo. Sempre pensei que uma notícia das duas uma: ou tinha notícias boas ou más!... mas afinal não é bem assim.
Na mesma semana, tal como já tinha contado, "perdi duas pessoas".
Mas esta semana voltei a encontrá-las. Pelo menos uma continua a fazer parte do meu dia-a-dia, do meu quotidiano.
Indo por partes, o rapaz da flauta e o seu cão -o Comfort - voltaram a aparecer.
Vi-os há dois dias atrás, e então hoje lá fui eu levar mantimentos ao canito e ao seu dono. Pelo que o rapaz me contou, tem uma hérnia discal, e devido a um mau jeito esteve mais de uma semana sem se poder mexer. Enfim, Caldas voltou à normalidade. O Comfort recebeu-me com uma grande lambidela, imaginando e bem, que ia ter o seu lanche preferido. Sim, é que o rapaz deu-se ao trabalho de me informar quais os alimentos e as marcas de que o Comfort mais gosta. Quanto a ele, não sei se aquela é a sua marca de tabaco preferida, ou se são aqueles os seus sumos de eleição, mas também nunca se queixou.
Quanto ao meu amigo, falei com ele hoje.
Liguei-lhe na hora de almoço, atendeu-me, não à primeira mas à segunda. Não importa!... depois de muito pensar resolveu atender-me. Balbuciou duas ou três palavras que mal as percebi, do tipo - "Vou agora para o Porto, estou com pressa, depois ligo-te". No mesmo instante, arrependi-me de lhe ter ligado. Afinal eu estava a querer impor a minha presença, se bem que não de uma forma física, obviamente.
Por volta das 19 horas lembrei-me que ele não me tinha ligado. Mais arrependida ainda de lhe ter ligado na hora do almoço.
Eram quase 20horas e um dos meus telemóveis toca. Era ele. Desligou. Retribui a chamada mas não atendeu. Voltei a não entender nada. Mas ele quer ou não quer falar?!... Eu sei, a minha falta de confiança nas pessoas não facilita nada o meu relacionamento com os outros. De repente, eu que durante o dia nem uma chamada tinha recebido, recebi uma no meu 91 que era da Faculdade , ao mesmo tempo recebi uma no meu 93 que era ele. Pedi desculpa, mas desliguei a primeira, pedidindo que me voltassem a ligar mais tarde para ficar em linha com a segunda... tanto para dizer... mas nada saiu. Conversa banal, - "saí agora do Porto... estou a ligar-te tal como te prometi... estás bem?... a Páscoa foi boa?" - ... Acho que entrei em coma, por alguns segundos. Quis falar, mas não consegui. Respondi somente por monossílabos e pouco mais. - "Sim... tou... foi bom... é isso, tou cansada... não, impressão tua... tou constipada, é só isso...". Mas eu queria gritar - "não, não estou bem, estou com imensas saudades tuas, estava a precisar de saber se estava tudo bem contigo e com a tua família. Estava a precisar de ouvir a tua voz, serena... tranquila... que tanto me tranquiliza... que me trás segurança..." Mas o grito não saiu. E por fim, se tudo aquilo não fosse suficientemente negativo, tive a infeliz ideia de lhe responder - "faz como entenderes... tá... beijinhos". Faz como entenderes? Mas ele perguntou-me, - não me pareces bem e acho que não estou enganado, queres que não te volte a ligar?- E eu, vá-se lá saber porquê, tive esta resposta completamente descabida. Mas o que é que aconteceiu entre nós? mas porque é que não me senti à vontade para lhe contar o que me vai na alma? Os meus desejos? os meus medos? as minhas alegrias? os meus desejos? ... porque é que de repente tudo ficou diferente entre nós?...
Uma amizade de há já quase dois anos, onde contávamos tudo um ao outro, sobre as nossas filhas, as nossas famílias, os nossos cursos, os nossos empregos... Era assim tão difícil dizer, - "tenho tido imensas saudades tuas"?... pelos vistos foi!
Como vêem, nem sempre as notícias dizem algo. Não sei o que se passou com ele neste último mês e nem ele ficou a saber do meu estado de espírito... da minha angústia...
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