segunda-feira, 25 de março de 2013

Foi na feira de antiguidades...

...ele pousa os olhos nela, embevecido, como quem observa algo raro e precioso. Ela voltou-se no mesmo instante em que ouviu chamar pelo seu nome e, depois de um instante de desorientação, coisa normal nela, percebeu que tinha sido aquele desconhecido que gritara por si. Ela tinha ido aproveitar a manhã de sol a deambular pela feira, nas ruas do Parque D.Carlos, deitando uma olhadela às velharias baratas que os feirantes arrumam em cima de panos estendidos no passeio ou ainda em cima de velhas bancadas.
Entretém-se a descobrir coisas curiosas que lembrem a sua casa de família entre a infindável tralha de objectos inúteis que se encontram naquele espólio em segunda-mão. Interessa-se por uma escova de pechiché em prata de aspecto antigo, diverte-se a negociar um preço irrisório com o feirante, acaba por ficar com ela por uma nota pequena, guarda-a na sua mala de mão preta de verniz.
Quando ele a chama, ela vira-se e descobre-o por entre a multidão, no meio da feira. Inclina a cabeça... confusa... e por momentos, pensa que ele deve estar a chamar qualquer outra pessoa. Olha em seu redor, à espera de ver alguém a responder-lhe, mas não... é mesmo a si que aquele homem se dirige. Aponta o indicador para si mesma, como que a perguntar se é com ela. Ele dá alguns passos em frente, encurtando assim a distância entre os dois, e fica ali parado  a olhar para ela com um ar de enfeitiçado.
Ela deixa fujir um pequeno sorriso, ficando à espera que ele diga qualquer coisa. Não estás a reconhecer-me, pois não? - perguntou ele... Hum... não, responde, meio embaraçada. Não fazes ideia de quem eu sou? Não... repete. A voz arrastada deixa em suspenso um desejo de perguntar quem és tu? Então, ele diz-lhe que é um conhecido de há mais de 30 anos. Ela tem uma exclamação de surpresa... é ele... lembrou-se imediatamente do seu nome mas o seu rosto é apenas vagamente familiar... não se parece em nada com aquele rapaz por quem um dia esteve tão apaixonada...
Do rapaz com quem partilhou aquele bairro... aquele café... só resta a sombra de uma ténue parecença... nunca seria capaz de o reconhecer... nunca conseguiria relacionar aquele homem com o rapaz que amou... Hoje em dia, ele tem o cabelo a ficar grisalho, está inchado, flácido, desmazelado. No entanto, há o tom de voz, aquele sorriso, algumas expressões, que lhe despertam lentamente a memória. Quer deixar aquela conversa por ali... ver-se livre da sua companhia, mas ele está tão entusiasmado e fala tanto que acabam por andar por ali a passear enquanto vão recordando os velhos tempos... como teria gostado que tudo aquilo tivesse acontecido há 30 anos atrás... mas agora não!... ele não é a sua paixão de adolescente... não o é mais... 
Nunca houve um beijo entre os dois, houve sim uma paixão enorme e fugaz. Ele casou, teve filhos, divorciou-se e voltou a casar.  Ela? Também casou duas vezes, teve uma filha e teve ainda uma longa relação... quase três anos, que terminou recentemente. Acabam por tomar um café ali mesmo na esplanada do Parque a recordar a adolescência e depois despedem-se. Ele parte, de volta à sua cidade e ela fica ali sentada, abana a cabeça desconcertada, a pensar que quando era miúda amou desesperadamente aquele desconhecido, que hoje não lhe desperta o menor interesse... não foi àquele homem que amou... ainda bem que não teve corajem para lhe dizer que um dia tinha estado loucamente apaixonada por ele...

Ninguém se pode tornar ...

... noutra pessoa... qualquer um de nós sabe disso... mas temos sempre a esperança que pode ser parecido... mesmo sabendo que não... 

Um Bom dia para todos os que me lêem... e também para os outros...

domingo, 24 de março de 2013

Às vezes é assim...

... tenho dias em que apetece muito escrever... e bolas!!!... tenho mesmo muito para contar mas não há tempo... noutros dias há tempo mas não há vontade... não há inspiração... apesar de haver tanto para dizer... e noutros dias como o de hoje... simplesmente escrevo... escrevo o que me vai na alma...

Façam somente o que querem... na hora que querem...

Todos nós um dia...

... deixamos algo que amamos... algo que já nos fez feliz... algo que pensámos em nunca largar... mas que largamos.
 
Ela está sentada na cama a meio da noite, com o portátil no colo como de costume. Não consegue dormir. Levanta-se, vai à cozinha, tira um pacote de bombons do armário apesar de não ser domingo, coloca-o em cima da mesa e abre-o. Vai para a sala, acende a luz do candeeiro pequeno, senta-se no sofá com as pernas recolhidas sob si, tapa-se com a manta que está nas suas costas e pega num bombom. Está apaixonada! Tem de admitir que está! Até agora andou a evitar este pensamento. Cautelosa, manteve um certo distanciamento dos sentimentos fatais. Mas está apaixonada, ou não está? Claro que está... mas porque não consegue sentir-se totalmente feliz?
Foram quase três anos. Acreditou nele. Nem lhe passou pela cabeça que ele tivesse dúvidas ou, pior do que isso, que lhe fizesse promessas que não fossem sinceras. Afinal, várias vezes por dia ele lhe dizia que a amava até ao infinito... que não conseguiria nunca viver sem ela... E no entanto ele desiludiu-a na véspera daquela festa... ele até a ajudou a escolher a roupa que deveria levar... poucos dias antes de se unirem... nem um telefonema... nada... e ela continuou durante todo o fim de semana à sua espera... mas nada...
Três dias depois ela ligou-lhe. Ele disse-lhe não é nada disso... continuo a amar-te... quero-te minha para sempre... e desligou o telefone... desligou-se dela... desapareceu.
Hoje ela tem novamente a certeza. Levou algum tempo a sarar as feridas, disse de si para si que este não é o outro. São diferentes. O outro enganou-me... este não, posso confiar nele. Sim, já sabe que não pode voltar a confiar cegamente, pelo menos por enquanto ou talvez até nunca. Já sabe que as pessoas têm lados obscuros de que nunca suspeitaremos e que podem mudar de um dia para o outro em relação a nós e, de repente, não as reconhecemos. Por isso, desta vez não confiou totalmente, não entregou a alma cegamente... não se apaixonou perdidamente...
Pousou o bombom na mesinha de apoio, vai ao quarto buscar o seu telemóvel de cor rosa que está na sua cama... rosa de paixão... rosa de adolescência... rosa de quem acredita no amor, os pés descalços no soalho provocam uma vibração surda no apartamento silencioso. Regressa ao sofá. Relê a mensagem. Ele, o outro, voltou do nada, como quem pressente que está prestes a perder algo, logo agora, e, embora não lhe tenha respondido à mensagem, guardou-a e relê-a, ansiosa, uma vez mais, como se não a soubesse de cor. Sabe que não lhe vai responder, não quer vê-lo nem falar com ele porque ainda se sente traída... sabe que não o deverá fazer, apesar de tudo. E no entanto ele consegue interferir na sua vida, perturbá-la, deixá-la a pensar, tirar-lhe o sono... desejá-lo...
Mas agora que ela tem novamente a certeza pensa, agarrada a uma frágil determinação, que não vai recuar com este por causa do outro. Só que o facto do outro lhe ter enviado a mensagem fá-la duvidar se tem mesmo a certeza deste. Afinal, a chama voltou a reacender... Mas pensa que se desistir agora vai fazer-lhe o mesmo que o outro lhe fez a si e considera isso detestável, inqualificável... não seria capaz de o ver sofrer tanto, como ela um dia sofreu... e se hoje era feliz a ele o devia... foi ele que esteve a seu lado quando ela precisou de deixar de olhar para aquele telemóvel... atira-o para o lado, agastada, solta um grito exasperado que ecoa na sala. Dirige-se para o quarto, deixando o bombom intacto. Apaga a luz da sala, enfia-se na cama com uma lágrima escorrendo por cada um dos seus olhos. Apaga o candeeiro da mesa de cabeceira e fecha os olhos, desejando muito dormir só para não pensar mais nele... pelo menos, não daquela forma.

Estavas ali...

... não deste por mim, mas eu dei por ti...
Como dizer-te tudo aquilo que senti naquele momento? ... foi inexplicável...
Eu queria namorar-te... beijar-te... colar-me em ti... dizer-te o quanto ainda te quero... o quanto ainda te amo... o quanto ainda estou perdidamente apaixonada por ti... Se tivesses olhado para tràs terias lido tudo isto no meu olhar...
Se soubesses ouvir este meu sentimento... misterioso... mas tão apaixona
do e indecifrável...
Queria, mas tanto que queria, abraçar-te... sem pensar nas consequências... pensar somente naquele momento...

Sou feita de emoções, tu sabes que sim... sou irracional, e talvez por isso quisesses ter ficado comigo... ficar contigo... seria voar... até ao infinito...
 
 


sábado, 9 de março de 2013

Boa tarde...

... sim, já é tarde....

Mais um fim de semana... mudanças?... não, quase nem se notam...

Já fui ler o meu expresso ... esta semana não trás nada de jeito... o país continua igual... sobe mais qualquer coisita e... corta-se mais qualquer coisita.... manter e descer, acho que... já são palavras inexistentes no nosso dicionário português... seja ele de que editora for...
... mas fora isso está tudo bem!...

Agora falando a sério, mesmo serinho... porque hei-de eu reclamar do país se a minha própria vida também não tem alterações praticamente nenhumas?... pois é... isto faz-me lembrar o outro... se eu aguento o país não há-de aguentar porquê?... 

E agora está na hora de meter o almoço no microondas...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Bom dia!...


... e hoje é o dia tão esperado... "é 6ª feira... suei a semana inteira"....o resto da letra hoje não vem ao acaso... 

...e para nós mulheres, hoje a alegria é a duplicar... hoje é o nosso dia!!!... se bem que eu acho que já o é todos os dias... ou pelo menos deveria ser.

Você, criatura macho, hoje não me leia, levante-se e vá fazer o pequeno almoço à sua cara metade, e diga-lhe o quanto a ama por ser mulher... a sua mulher... Se não vai a tempo disso, prepare hoje você o jantar... ofereça-lhe aquela grande caixa de bombons que ela tanto adora mas que não ousa comprar... ou simplesmente deixe-lhe um "post it" na porta da rua a desejar-lhe um dia feliz... ou a a dizer-lhe que continua perdidamente apaixonado por ela... mande entregar no trabalho dela um grande ramo de rosas vermelhas... (já agora, por favor, não ofereçam nunca a elas rosas que não sejam vermelhas, deixem as outras para as vossas mães)... raptem-nas à saída do emprego e levem-nas a um ótimo restaurante... num hótel... e fiquem por lá a noite toda... (um apêndice, neste ofereçam-lhe também um conjunto novo de lingerie, ela vai precisar amanhã de manhã)... Ah!... e é verdade, não se esqueçam de quem lhes fique com as crianças esta noite... 

... bem e agora vou trabalhar neste meu último dia da semana... e já agora... tenham um excelente fim de semana com muito amor e carinho!!!...

... e já agora, qualquer um destes presentes me faria uma mulher mais feliz ainda...

terça-feira, 5 de março de 2013

Nem sempre...

... a realidade suplanta a imaginação... As expetativas eram demasiado altas...


Sabes uma coisa? ... sinto-te falta....


segunda-feira, 4 de março de 2013

Quando se tem o que se queria...

... mas que não tem sabor...

Eu sei que deveria estar feliz... mas não consigo... é como uma fogueira que crepita lentamente...sem chama suficiente para me aquecer... não há entusiasmo... não há desejo... não há paixão louca... daquelas que nos levam a fazer tudo sem pensarmos...
 

sábado, 2 de março de 2013

Coisas novas...

... atraem-me! Mas ao mesmo tempo deixam-me com medo. Medo de avançar, continuar, medo da desilusão...medo de ir errar... estar a errar, medo de tudo...

...Sinto-te a falta...

Hoje estou um pouco saudosista... estive a ver umas fotos duma cidade onde vivi mais de 10 anos e onde não vou há já cerca de 25 anos... tudo está diferente, mas ao mesmo tempo... tudo está igual... as saudades... as recordações dos bons momentos que por ali passei...

... vou-me levantar... encarar o dia... secar os cabelos ao vento... neste vento que se faz sentir hoje... e tentar convencer-me que mais dias felizes virão....

Esquecam tudo o que leram!!!... está muito vento sim, mas vai ser um sábado excecional!