quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Amanhã...

... é 1º de Dezembro. É dia de montar a árvore de Natal, o presépio e ainda enfeitar a casa e não esquecer a coroa de Natal na porta da rua. É também dia de meter na parede o calendário de Natal de chocolates... hum... amanhã como já o meu.
Como vêm, não somente sou saudosista como também sou de tradições.
Atchim! Meu Deus, já começo a espirrar só de imaginar o frio e chuva que por aí vem. Sim, porque eu odeio frio e chuva mas Natal sem estes dois... nem parece Natal.Tenho de tratar de mim, porque ainda tenho o resto dos presentes de Natal para comprar, apesar de já ter quase tudo comprado porque eu gosto de escolher nas calmas. Atchim! Onde terei metido os antipiréticos ou os antigripais? Pelo menos já posso oferecer a mim própria o primeiro presente de Natal deste ano: dose dupla de um antigripine, com essa tal vitamina que evita as constipações. Não me lembro da letra da vitamina: B? C? J? Ai que enjoo o alfabeto das vitaminas! Se a minha criancinha estivesse a ouvir-me dizia logo - Compra mas é uma caixa de Aspirina - Para ela a Aspirina é o remédio santo para tudo. 
Tenho os olhos a arder e não páro de espirrar e de assoar-me. Estou rodeada de flocos brancos não de neve, mas sim de Kleenex. Sinto a cabeça como se estivesse cheia de algodão, mas isso também já é normal.
Atchim! Assim não consigo pensar com um mínimo de clareza. E, no entanto, não tenho outro remédio senão preparar a lista dos presentes que faltam. Não é coisa simples, não senhora. As coisas vão-se tornando mais difíceis de ano para ano. Não gosto de me queixar. Aliàs, quase nunca me queixo de nada...é sabido que sou por natureza risonha, a... a... atchim!... mas francamente, não sei não!
Que se pode oferecer hoje às crianças? Evidentemente nada de brinquedos bélicos: todas as associações de pais de família me cairiam em cima. Nem bonecas, com os seus vestidinhos e os seus cosméticos, porque é uma prenda sexista e discriminatória para as crianças. Claro que poderia oferecer as bonecas aos rapazes, mas ainda seria pior porque me chamariam de perversa.  Nem daquelas que dão de mamar, fazem chichi, bebem o leite, espirram,... a... a... atchim! Nem os automóveis de brincar nem as bicicletas e motos de verdade me deixam muito sossegada: há tantos acidentes! Além disso, as estradas estragam a natureza e o preço da gasolina provoca guerras. Então, pois, excluídos os veículos! Por um momento pensei em oferecer um conjunto de brincar às lojas, com os seus balcões mínimos cheios de frutas e costeletas de plástico, com as suas caixinhas registadoras a abarrotar de dinheiro que não vale nada. Mas felizmente apercebo-me a tempo do perigo: iria fomentar descaradamente o consumismo, a mentalidade mercantil, a ânsia de lucro. Aqueles que não podem comprar costeletas de carne e osso veriam nas de plástico uma troça indigna.
Está visto que não é fácil acertar. Oferecerei telemóveis de brincar? Significa que mergulho a inocência das criancinhas na cacofonia cansativa da nossa vida adulta. Aviões? Veja-se a secção dos automóveis, agravada pelos sequestros aéreos e os bombardeamentos. Animaizinhos domésticos? Têm os seus direitos sagrados, o primeiro dos quais é não serem obrigados a ladrar ou piar para satisfazer a tirania dos humanos. Quanto ao catálogo dos jogos de consola, mais vale nem sequer folheá-lo: é um reportório impiedoso de brutalidades, assassínios, masmorras, torturas e aniquilamentos. Material de química ou de física? Já vimos onde a ciência moderna levou o mundo. Jogos de magia? Estimulam a quem os recebe a fuga fácil aos problemas reais e consagram a arte dos aldrabões. Aguarelas, lápis de cor? Servem para esborratar de obscenidades e coisas absurdas as ruas ou as carruagens do Metro... se bem que, de um bom graffiti até eu gosto. Nada de produtos para fazer bolas de sabão, que causam intoxicações, além de poluirem o ambiente. Um humanitarista incauto cometeria o erro de oferecer material usado por médicos e enfermeiros, esquecendo-se daquilo a que as crianças costumam brincar quando dizem que brincam aos médicos. Cd's? Com o seu estrondo incomodam os vizinhos ou até favorecem o autismo dos que andam permanentemente ligados a um Mp4 ou Mp5... como eu. Livros? Já viram a cara que uma criancinha de hoje põe quando alguém se atreve a oferecer-lhe um livro?
Bolas! Que raio! Eu quero ser politically correct como qualquer outra pessoa seria... ou não... Sinceramente, não consigo orientar-me. De modo que cheguei à conclusão de que, neste Natal, vou apenas oferecer dinossauros! Pois é. Dinossauros para todos! Agradam, são ecológicos e como se extinguiram há já tanto tempo, não incomodam ninguém! 





domingo, 27 de novembro de 2011

Boa tarde...

... ou será boa noite?... bom final de tarde.
Domingo e como sempre nada de especial para fazer...
Detesto os domingos!... aliás, odeio os domingos! Tento me conter e não ser mal educada para quem comigo se cruza... Odeio aqueles casalinhos de mãos dadas que tanto amor mostram cá para fora...faz pensar que a vida é isso mesmo, amor. Odeio aqueles recém casados já com uma, duas, ou até mesmo três criancinhas, ranhosas, barulhentas, birrentas com os papás atrás delas sem saberem o que fazer. Odeio até os coitados daqueles casais já com mais de 70 anos de idade e 50 de casamentro, sem saber como aguentaram tanto e durante tantos anos ao lado um do outro. Ok, é verdade, falo assim porque tentei por duas vezes copiar essas criaturas e no entanto continuo a sair de casa, aos domingos de manhã, para ir tomar o pequeno almoço à Pastelaria Machado... hum... que tem uns ótimos bolos... apenas acompanhada pelo meu jornal...
Mas hoje sinto-me estranha, para não variar, mas nada de me sentir mal... nada disso, apenas estranha...
Passei a tarde enrolada numa manta no sofá da sala juntamente com a bicha... e a olhar para o plasma onde foi passando um pouco de tudo menos algo de interessante... mas ainda bem. Somente assim tive tempo para olhar uns novos blogues. Pelo menos novos para mim. Ah, e como hoje é domingo, comi tudo aquilo que não como de 2ª a sábado... e gostei... e pior ainda...não me sinto culpada das cerca de 4000 calorias que já devo ter ingerido... principalmente aquele Crumble de marmelo...que espero conseguir comê-lo todinho ainda hoje...ou será que foi daqueles dois cachorros... dias não são dias. Amanhã volto à dieta equilibrada. Nem olho para a balança...Bolas! Uma mulher precisa de vez em quando de se exteriorizar nos seus apetites!
Bem, vou ingerir mais 2 ou 3 mil calorias porque amanhã já é 2ª feira... graças a Deus!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Só te quero a ti...

Uma estrada de terra batida sem movimento corre paralela ao campo onde ele trabalha. Tem uma quinta, alguns hectares, algumas máquinas agrícolas, e é isso que faz. 
Dantes, ia a Lisboa todos os fins de semana, ao encontro dela. Ficava em sua casa. O tempo era escasso, esgotava-se a correr. Quando dava por si, já estava na hora de regressar à sua quinta. Mas agora já não vai. Num fim de semana pediu-a em casamento, mas ela recusou. Justificou-se dizendo que não queria a vida que ele tinha para lhe oferecer. Separaram-se sem soluções mas com uma imensa mágoa. 
Na sexta-feira seguinte, um velho amigo em apuros dormiu em casa dela, no sofá. 
Na manhã seguinte ele aparece de surpresa. Não era para ir mas não conseguia esquecê-la. Tocou à campainha. O amigo dela vem abrir a porta em tronco nú, jeans e descalço. Ele sentiu como se o coração lhe tivesse parado naquele preciso instante.Depois, pede-lhe desculpa: - "enganei-me" - , diz, e afasta-se rapidamente. O outro tenta chamá-lo, dizer-lhe que talvez não esteja enganado, mas ele já não ouve nada. Encolhe os ombros e fecha a porta. Ela pergunta lá de dentro quem era, e o amigo responde: - "ninguém, era engano" -.
Durante a semana ela telefona-lhe. Sente que precisa de falar com ele... dizer-lhe que o ama... que terão de arranjar uma solução para poderem ficar juntos. Mas ele não atende. Ela insiste vezes sem conta até receber uma mensagem terminante: - "não tentes contactar-me nunca mais, esquece-me" -.
Passou um ano. Ela andava nas compras, o seu hobby preferido, num supermercado perto de sua casa e encontra o amigo,  que nunca mais tinha visto. Na caixa ela abre a carteira para pagar, mas atrapalha-se e deixa-a cair. Abaixam-se os dois para apanharem os papéis que se espalharam pelo chão. Ele segura uma foto que encontrou no meio de toda aquela confusão.  - "Quem é este? -, espanta-se ele. Ela pega na velha foto, deixa transparecer um semblante perturbado. - "não interessa - responde, enfiando atabalhoadamente os papéis e a foto na carteira. Apressa-se a pagar, despede-se e vai embora. Ele, como a empregada da caixa não se despachava, deixa tudo e corre atrás dela. Alcança-a já no parque de estacionamento. Segura-a por um braço, ela vira-se com os olhos marejados de lágrimas e ele diz-lhe: - "espera, tenho uma coisa importante para te dizer que somente agora percebi".
Ele conduz o trator, deixando longos sulcos no rasto da máquina. Um jipe aproxima-se. Trava, as rodas escorregam na terra e levantam uma nuvem de poeira que o envolve. O Jipe volta a arrancar e, quando a poeira assenta, lá está ela, sozinha na estrada. Ele desliga o motor, surpreendido, e salta do trator encontrando-se a meio caminho. - "Que fazes aqui? -, pergunta-lhe ele. - "Não digas nada, ouve só o que tenho para te dizer. Esta manhã soube uma coisa..." Conta-lhe o que se passou naquela manhã, explica-lhe o que se passou há um ano. Ele escuta-a, perplexo. - "Não sei se tens alguém, já passou tanto tempo, mas tinha de te contar isto..." -. Ele abana a cabeça, responde-lhe que não tem ninguém. - "Também eu não... nunca mais tive ninguém..." diz ela, limpando as lágrimas com as costas da mão. Ele abraça-a. - "Nem eu..." -  diz-lhe ao ouvido. "não fui capaz, só te queria a ti, meu amor".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entusiasmada...

... passou a última meia hora a dar uma arrumação nas gavetas da cómoda do quarto. Faz agora três dias que chegou lá a casa com uma mala enorme e dois sacos, nada mais. O resto da sua vida ficou na outra casa, no apartamento onde há já muitos anos morava. Ele convenceu-a de que o melhor seria viverem juntos, apesar de se conhecerem à muito pouco tempo, apenas um mês. Ela seguiu um impulso, deu um salto, agarrou-se ao pescoço dele e sorriu, feliz com o convite, disse que sim. Estava perdidamente apaixonada por ele, não pensou muito nas implicações deste passo. 
Saiu do quarto a tagarelar qualquer coisa, mas ele estva a ver televisão na sala e não prestava atenção ao que ela lhe dizia. Dá uma resposta vaga sem tirar os olhos do plasma. Fica parada uns segundos junto à porta que dá acesso ao quarto, a observá-lo sentado no sofá. E, subitamente, tem a sensação de que tudo ali lhe é estranho! O espaço... decoração... nada têm a ver com ela. Até o homem ali sentado no sofá, nada tem a ver com ela. Parece-lhe completamente desconhecido. Repara que ele está vendo um programa sobre animais selvagens e dá com ela a pensar que não sabia que ele se interessava por esse género de programas, que tivesse sequer interesse por alguns animais que não fossem as suas duas cadelas e o seu gato. Pensa... - "O que é que eu estou fazendo aqui? ... Mal o conheço..." -
Está prestes a ter um ataque de pânico. Corre para a casa de banho e fecha-se lá dentro. Baixa a tampa da sanita - que nunca conseguiu que se mantivesse baixa -, senta-se, apoia os cotovelos nos joelhos e esconde o seu rosto em lágrimas nas mãos. De repente... levanta-se! Desorientada abre a torneira do lavatório, passa água pela cara, pega numa toalha, espreita por cima dela, como se tivesse uma máscara, apenas com os olhos destapados, baixa a toalha, vê-se ao espelho, respira fundo, e diz a si mesma que tem de se controlar, que está agindo como uma tonta.
Regressa à sala, vai sentar-se ao lado dele no sofá. Agora ele está vendo um filme antigo. Afinal não tinha assim tanto interesse em programas de animais selvagens, mas, pensa, quem é que gosta de ver filmes a preto e branco? Que ela saiba, só nos filmes modernos é que as pessoas os vêem. Tal como acontecia com Júlia Roberts ao lado de Richard Gere no filme Pretty woman - "Gostas de filmes antigos?" pergunta-lhe ela. - "Hum?...não... nem por isso... estava a fazer zapping" - responde-lhe ele, mudando uma vez mais de canal. Depois, olha para ela preocupado. - "Estás bem? pareces-me pálida..." - repara ele. - "Sim, sim... estou ótima" - reponde ela , acompanhando com um sorriso forçado. Ele sorri-lhe de volta, mais descansado, perguntando-lhe se quer ver algum programa em especial. Responde-lhe que não, que lhe é indiferente. Entretanto, continua a mudar de canal até que concordam em ver uma série.
Ele passa os braços por cima dos seus ombros e ela encosta-se a ele... aconchega-se. Pensa que tem de dar tempo ao tempo, que em breve vai conhecê-lo melhor e que vai correr tudo bem. Depois, mais calma mas não menos insegura, acaba por adormecer nos seus braços.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Chegam a casa...

... ela entra à frente dele. A porta dá diretamente para a sala. Atira-se para o sofá... extremamente furiosa. 
Veio sempre a resmungar no táxi, enquanto que ele... calado! - "deixaste-me sózinha a noite toda, a falares com aquela... aquela... aquela criatura!... quem era ela afinal?... a tua secretária que supostamente não existe?" - Ele abre a boca a medo, para responder, mas ela não deixa, continuando a descompo-lo. Ele então, opta por manter-se em silêncio, reparando nos olhos do taxista no retrovisor, no sorriso divertido do homem, a responder-lhe com um sorriso dissimulado, um encolher de ombros, quando ela volta a cabeça para a janela.
Ela tira os sapatos, encolhe as pernas em cima do sofá. Continua a protestar, como sempre. Ele fica para trás, sem retorquir. Fecha a porta da rua, passa pelo sofá, pára a meio da sala e tira também os sapatos sem se abaixar. Dirige-se ao leitor de CD, põe a tocar a música preferida dela, tão alto que se sobrepõe à sua voz. Aproxima-se do sofá... estende-lhe a mão...- "O que é que tu queres?" - pergunta ela, desconcertada. Ele não se move. Ela, desarmada, estica o braço, ele toma a sua mão, e puxa-a para si ajudando-a a levantar-se. Envolve-a nos seus braços... começam a dançar... lentamente... serenando a sua fúria. Ainda a ouve dizer - "és um sacana" -, antes de estreitar o seu corpo junto ao dele.
Solta-lhe o cabelo apanhado no alto da cabeça, deixando-o cair pelos seus ombros. Beija-a no pescoço, acaricia-lhe as costas. Encontra o fecho do vestido... corre-o até abaixo... beija-a no ombro... faz deslizar uma alça... depois a outra. Ela deixa cair os braços com um sorriso nos lábios agora mais calmos. O vestido desliza pelo seu corpo, até aos seus pés. Abraçam-se... dançam... beijam-se... A mão dela procura o peito dele, os dedos soltam... um a um... os botões da camisa. Desaperta-lhe os botões da camisa... desaperta-lhe o cinto das calças... o botão... o fecho.
A música termina. A roupa espalhada pelo chão. Dirijem-se para o quarto de mãos dadas... até chegarem à cama. Mais tarde, ela adormece enroscada nele. Ele comtempla-a, serena, de olhos fechados. E, de repente espanta-se com a sua beleza... como sempre.
De manhã tomam o pequeno almoço juntos, ainda estremunhados. Ele quebra o silêncio: - "dormiste bem bébé?"... "ya" - diz ela, sem levantar os olhos da faca com que barrava a torrada de manteiga. "e gostaste da noite passada?" - voltou ele a perguntar. Ela suspende o gesto, ergue a cabeça, estreita os olhos a ameaçar uma tempestade, mas... suaviza a expressão. "adorei, meu pipoquinha"... pousa a faca, dá uma dentada na torrada e põe-se a comer, com um sorriso, enquanto olha para ele.