sábado, 4 de janeiro de 2014

Aquele silêncio...


Está sentado numa das mesas do café, em perfeito silêncio...
Nos últimos 15 minutos só ela falou. Ele pousa as mãos na mesa... os dedos entrelaçados... ela, incomodada com o seu silêncio, reage com uma ponta de irritação, como que a sacudir o embaraço... Não dizes nada?... - pergunta-lhe. 
Ele observa as pessoas sentadas em redor e encolhe os ombros. Só isso? - insiste ela. Acho que tu já disseste tudo, afirma. Ela abre a boca, procurando algo mais para dizer, mas não lhe sai nada. Muito bem, conclui, à beira de uma fúria, - está tudo dito. Faz menção de se levantar, mas ele impede-a com uma perplexidade: - Adianta dizer alguma coisa? Vais mudar de opinião? Não me parece - responde-lhe. Então, é isso... pois... também acho...
Ela comunicou-lhe que o vai deixar. Ele escutou-a com atenção, mas não fez qualquer comentário... não fez nenhum esforço para a convencer do contrário. Isso contribui para a irritar ainda mais. Sente-se desorientada e uma vontade enorme de sair dali depressa. A ausência de reação, mais do que exasperá-
-la... desanima-a... dececiona-a... é quase uma humilhação. Ele foi sempre assim, pouco dado a exprimir emoções... a exteriorizar o seu amor por ela. E ela confunde o silêncio com indiferença... Mas não é!
Ela levanta-se enquanto diz - olha, isto não nos leva a lado nenhum, vou andando. - Ele pergunta-lhe: o que queres de mim? - Nada, agora já não quero nada. Até qualquer dia -. Dá meia-volta, afasta-se por entre as mesas, sai para a rua.
Ele ali fica... sentado... absolutamente imóvel... com os dedos entrelaçados em cima da mesa, a olhar em frente, para a porta por onde ela saiu, durante vinte minutos, a pensar se ainda a ama ou se já não a suporta. Sabe que lhe dá pouca atenção e que ela reclama demasiada atenção. Enfim, acha que lhe dá atenção, à sua maneira, mas que nunca é suficiente para ela. Não fala muito, e então? Nunca falou. Pensa que o problema está nele, pois não é a primeira mulher que vê sair da sua vida por uma porta qualquer. Mas a verdade é que não costuma importar-se muito com isso. Vive bem sozinho. Não é casado, não tem filhos, e agora nem mulher tem.

Tudo...

... parece se ter desmoronado... há sempre algo... há sempre um senão...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tudo parecia esquecido...

... mas nada disso...

aquela sensação continua a acontecer... a sua voz suave... serena... tranquila... acorda qualquer alma... acorda qualquer paixão... há sempre algo nas nossas vidas que fica para sempre... algo que nunca se esquece... que não se consegue esquecer mesmo que se queira...

... e a todos vós.... tenham um excelente ano de 2014... e consigam todos os vossos desejos... eu quero conseguir o meu...