... ela entra à frente dele. A porta dá diretamente para a sala. Atira-se para o sofá... extremamente furiosa.
Veio sempre a resmungar no táxi, enquanto que ele... calado! - "deixaste-me sózinha a noite toda, a falares com aquela... aquela... aquela criatura!... quem era ela afinal?... a tua secretária que supostamente não existe?" - Ele abre a boca a medo, para responder, mas ela não deixa, continuando a descompo-lo. Ele então, opta por manter-se em silêncio, reparando nos olhos do taxista no retrovisor, no sorriso divertido do homem, a responder-lhe com um sorriso dissimulado, um encolher de ombros, quando ela volta a cabeça para a janela.
Ela tira os sapatos, encolhe as pernas em cima do sofá. Continua a protestar, como sempre. Ele fica para trás, sem retorquir. Fecha a porta da rua, passa pelo sofá, pára a meio da sala e tira também os sapatos sem se abaixar. Dirige-se ao leitor de CD, põe a tocar a música preferida dela, tão alto que se sobrepõe à sua voz. Aproxima-se do sofá... estende-lhe a mão...- "O que é que tu queres?" - pergunta ela, desconcertada. Ele não se move. Ela, desarmada, estica o braço, ele toma a sua mão, e puxa-a para si ajudando-a a levantar-se. Envolve-a nos seus braços... começam a dançar... lentamente... serenando a sua fúria. Ainda a ouve dizer - "és um sacana" -, antes de estreitar o seu corpo junto ao dele.
Solta-lhe o cabelo apanhado no alto da cabeça, deixando-o cair pelos seus ombros. Beija-a no pescoço, acaricia-lhe as costas. Encontra o fecho do vestido... corre-o até abaixo... beija-a no ombro... faz deslizar uma alça... depois a outra. Ela deixa cair os braços com um sorriso nos lábios agora mais calmos. O vestido desliza pelo seu corpo, até aos seus pés. Abraçam-se... dançam... beijam-se... A mão dela procura o peito dele, os dedos soltam... um a um... os botões da camisa. Desaperta-lhe os botões da camisa... desaperta-lhe o cinto das calças... o botão... o fecho.
A música termina. A roupa espalhada pelo chão. Dirijem-se para o quarto de mãos dadas... até chegarem à cama. Mais tarde, ela adormece enroscada nele. Ele comtempla-a, serena, de olhos fechados. E, de repente espanta-se com a sua beleza... como sempre.
De manhã tomam o pequeno almoço juntos, ainda estremunhados. Ele quebra o silêncio: - "dormiste bem bébé?"... "ya" - diz ela, sem levantar os olhos da faca com que barrava a torrada de manteiga. "e gostaste da noite passada?" - voltou ele a perguntar. Ela suspende o gesto, ergue a cabeça, estreita os olhos a ameaçar uma tempestade, mas... suaviza a expressão. "adorei, meu pipoquinha"... pousa a faca, dá uma dentada na torrada e põe-se a comer, com um sorriso, enquanto olha para ele.
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