... é termos o coração cheio e as mãos vazias, sem ninguém a apertá-las quando precisamos...
... é adormecermos com a orelha a ferver encostado ao telemóvel e os pés frios, sem ninguém a aquecê-los...
... é sermos abraçadas por mil palavras de conforto enquanto os braços
pendem... sozinhos no sofá... sem força para mudar o canal de
televisão no comando...
... é desejar "bom jantar", enquanto pomos um único prato na mesa e nos sentamos apenas com a companhia da nossa gata no outro lado da mesa...
... é sussurrar "boa noite", enquanto nos abraçamos à almofada vazia que temos ao nosso lado...
... é dizer "bom dia" numa sms, enquanto abrimos os olhos e tentamos enfrentar a solidão do quarto...
Amar alguém à distância é saber que está sempre ali alguém... só que esse
alguém está a 436 quilómetros de distância... o que perfaz cerca de 4h 09m... Amar alguém à
distância é viver cada vida numa tela gigante, separada por uma linha a
meio que nunca permite que as duas imagens se intercetem. É um viver
individual que aspira ao viver a dois. É um "eu" que deseja muito ser um "nós".
Amar alguém à distância é amar sozinho. É duro. Dói. E sim, já passei
por isso. Já acordei angustiada, com um aperto gigante no coração. Já
senti as mãos vazias, quando precisava de as dar. Já senti os pés frios,
apesar de a orelha estar a latejar com o calor do telemóvel. Já fui
abraçada com palavras, quando os meus braços não tinham sequer força
para pegar no comando. Já desejei "bom jantar" enquanto olhava o meu único prato na mesa. Já sussurrei "boa noite" e a seguir deitei-me na almofada, triste e só. Já disse "bom dia" enquanto o peso da solidão me caía em cima.
Amar à distância para mim é assinar uma declaração de infelicidade. "Li e aceito as cláusulas do contrato. Opto por ser infeliz." E
pode dar para toda a gente. Mas para mim é difícil. Bastante difícil. Preferia
adormecer até ao fim da vida com um ressonar de 100 decibeis. Desde que
fosse o ressonar dele. Acho que a única
vantagem que, para mim, o amor à distância tem é que, não discutimos... não nos zangamos... mas também não fazemos outras coisas...
... se bem que, às vezes... eu ralho com ele...
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