... a passear à beira rio de manhã. Escolhem uma
esplanada, sentam-se a contemplar o esplendor das águas num dia de Sol
tão intenso que podia ser de Verão. O
empregado aparece para saber o que ela deseja, toma nota de cabeça,
depois vira-se para ele e pergunta-lhe o mesmo. Pedem ambos um café e
uma água. O empregado vai lá dentro e volta depressa com uma bandeja.
Serve-a primeiro, depois a ele.
Há uns rumores
monótonos de gente que passa ao largo numa indiferença igual à de tantos outros sábados, pelo
passeio junto à margem. Casais abraçados, descontraídos... crianças que se arriscam com os patins... uma
rapariga a correr com os seus phones nos ouvidos... dois amigos de
bicicleta conversando enquanto pedalam lado a lado.
Ela
vê que ele tira os óculos escuros, coloca-os na mesa, ergue os olhos na sua direção, pousa-os nos dela e observa-a sem pressa. Como que
hipnotizada, não vira a cara, embora se sinta embaraçada pela forma
persistente como aquele homem olha para si. Ele sorri-lhe e o seu rosto torna-se
desconcertantemente agradável, levando-a a devolver-lhe o sorriso sem
pensar, apenas por reação à simpatia vinda da parte dele. Mas desvia logo os olhos e
bebe o seu café para se manter ocupada.
O telemóvel
dele começa a tocar em cima da mesa... e ele atende. Ela finge que não está a
ligar ao que ele diz, não querendo dar a impressão de ser intrometida.
Escuta-o a falar sobre algo relacionado com trabalho e fica a pensar
que, hoje em dia, as pessoas não são capazes de desligar nem ao
fim de semana. Isso deixa-a um pouco desconsolada. Ali estão eles, os
dois sozinhos, e já podiam estar a ter uma conversa divertida, vendo até
onde isso os levaria, mas não. Ele está preocupado com um projecto
qualquer e ela a ver um navio que se faz ao mar, enquanto torce o pacotinho do
açúcar, descobrindo que quer que ele largue o telemóvel e
volte a dar-lhe atenção, como há pouco, quando lhe sorriu.
Ele
desliga o telefone, mas quando vai a pousá-lo na mesa... toca outra vez. Ela
ouve-o explicar onde está, de uma forma muito rápida e desliga. Volta a pôr o
telemóvel em cima da mesa, despeja a água da garrafa para o copo e bebe
um pouco. Alguns minutos depois chega uma mulher, bonita... elegante... com um ar jovem e simpático... que lhe entrega um
saco, dizendo-lhe "comprei-te o jorna"... beija-o e senta-se à sua frente. E, na
mesa ao lado, ainda a pensar no sorriso encantador dele, desiludida, ela
pensa... é bem feita! Para aprender a não me entusiasmar com um simples sorriso de um estranho... com quem pensámos poder viver por toda a sua vida...
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