domingo, 15 de julho de 2012

Andam...

... a passear à beira rio de manhã. Escolhem uma esplanada, sentam-se a contemplar o esplendor das águas num dia de Sol tão intenso que podia ser de Verão. O empregado aparece para saber o que ela deseja, toma nota de cabeça, depois vira-se para ele e pergunta-lhe o mesmo. Pedem ambos um café e uma água. O empregado vai lá dentro e volta depressa com uma bandeja. Serve-a primeiro, depois a ele.
Há uns rumores monótonos de gente que passa ao largo numa indiferença igual à de tantos outros sábados, pelo passeio junto à margem. Casais abraçados, descontraídos... crianças que se arriscam com os patins... uma rapariga a correr com os seus phones nos ouvidos... dois amigos de bicicleta conversando enquanto pedalam lado a lado.
Ela vê que ele tira os óculos escuros, coloca-os na mesa, ergue os olhos na sua direção, pousa-os nos dela e observa-a sem pressa. Como que hipnotizada, não vira a cara, embora se sinta embaraçada pela forma persistente como aquele homem olha para si. Ele sorri-lhe e o seu rosto torna-se desconcertantemente agradável, levando-a a devolver-lhe o sorriso sem pensar, apenas por reação à simpatia vinda da parte dele. Mas desvia logo os olhos e bebe o seu café para se manter ocupada.
O telemóvel dele começa a tocar em cima da mesa... e ele atende. Ela finge que não está a ligar ao que ele diz, não querendo dar a impressão de ser intrometida. Escuta-o a falar sobre algo relacionado com trabalho e fica a pensar que, hoje em dia, as pessoas não são capazes de desligar nem ao fim de semana. Isso deixa-a um pouco desconsolada. Ali estão eles, os dois sozinhos, e já podiam estar a ter uma conversa divertida, vendo até onde isso os levaria, mas não. Ele está preocupado com um projecto qualquer e ela a ver um navio que se faz ao mar, enquanto torce o pacotinho do açúcar, descobrindo que quer que ele largue o telemóvel e volte a dar-lhe atenção, como há pouco, quando lhe sorriu.
Ele desliga o telefone, mas quando vai a pousá-lo na mesa... toca outra vez. Ela ouve-o explicar onde está, de uma forma muito rápida e desliga. Volta a pôr o telemóvel em cima da mesa, despeja a água da garrafa para o copo e bebe um pouco. Alguns minutos depois chega uma mulher, bonita... elegante... com um ar jovem e simpático... que lhe entrega um saco, dizendo-lhe "comprei-te o jorna"... beija-o e senta-se à sua frente. E, na mesa ao lado, ainda a pensar no sorriso encantador dele, desiludida, ela pensa... é bem feita! Para aprender a não me entusiasmar com um simples  sorriso de um estranho... com quem pensámos poder viver por toda a sua vida...

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