terça-feira, 12 de junho de 2012

Ela não se queria apaixonar...

...pois sabia que se fosse rejeitada mais tarde levaria meses, talvez até anos, a esquecer. Já passara por isso e a ideia de repetir era perturbadora. Decidira ser livre, não se apaixonar. Tivera alguns casos esporádicos, mas não se prendera a ninguém. Mas agora voltou ao mesmo e está alarmada porque só percebeu o que lhe aconteceu demasiado tarde. Como sempre acontece nas grandes paixões.
Trabalha num hotel, conheceu-o quando estava de serviço ao bar. Achou-lhe alguma piada, mas não deu importância. No entanto, ele apareceu no dia seguinte, e todos os dias dessa semana, à mesma hora.
Ele viaja muito em trabalho, vem a Lisboa com uma certa regularidade. Numa destas suas viajens, deu com ela logo à chegada, no balcão da receção. O seu rosto iluminou-se quando a viu, disse-lhe que gostava muito de a reencontrar. E para ela aquele momento, aquela declaração, não foram indiferentes. Sorriu e respondeu educadamente, que era um prazer recebê-lo novamente no hotel, tratando-o sempre por senhor. Mas na verdade sentiu uma emoção que a surpreendeu...o coração palpitante.
Mais tarde, ele foi até ao balcão e perguntou-lhe se não iria estar de serviço no bar. Como ela dissesse que não, pediu-lhe que fosse lá ter com ele depois de sair de serviço. Ela recusou. Não poderia fazê-lo. Ele coçou a cabeça, atrapalhado, mas não desistiu, convidou-a para sair. Apanhada de surpresa, ela disse que não, inventou uma desculpa. Ele disse-lhe não fazer mal. Tinha a semana toda para a convencer.
Agora, ela dá consigo a sofrer à espera do dia em que ele regresse ao hotel. Falam sempre ao telefone, mas receia que um dia ele mude de hotel e a esqueça. Receia que um dia aquilo não passe de simples recordações. Por isso, decidiu que não podia continuar nessa angústia.  Telefonou-lhe, disse-lhe que era altura de se afastarem. Ele respondeu-lhe que tinha uma semana para reconsiderar, até ao seu regresso. Ela fraquejou na sua determinação, disse está bem, uma semana, mas pediu-lhe que não telefonasse.
Os dias são lentos, a semana demora a passar. Ela está na receção e pergunta-se porque não lhe liga ele, porque não ignora o seu pedido. Sente uma tentação de lhe telefonar, mas resiste. Está apaixonada e assustada com a força desse sentimento, com o risco de ele a deixar, com a possibilidade de ele não voltar no fim da semana. Mas ele volta. Chega com um ramo de flores e declara-se à frente dos colegas, de uma multidão de hóspedes. Não podes desistir de mim porque te amo e quero casar contigo, disse-lhe. Ela, emocionada, ri-se com lágrimas nos olhos.
Então, diz ele, vais responder-me ou deixar-me aqui nesta expetativa? Ela emocionada, recompõe-se, responde-lhe sem pensar duas vezes: Sim! Ele debruça-se sobre o balcão, beija-a, e há uma salva de palmas geral na receção...Mais uma vez, o amor venceu!

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