quarta-feira, 25 de abril de 2012

Quem são as pessoas que conhecemos?...

... é o que muitas vezes nos perguntamos.

Há aqueles que desaparecem sabendo nós o porquê, há os outros que desaparecem calculando-se o porquê, e depois... há ainda aqueles que desaparecem sem se saber porquê.
 
É incrível como passamos pelas pessoas, pensando que vão estar por ali toda a vida. Mas quando elas já não estão entre nós, vá-se lá saber porquê, é que reparamos que elas existem na realidade, não são imaginárias ou virtuais. Portanto, é muito natural que um dia não façam parte do nosso quotidiano.

Na passada semana desapareceram-me duas pessoas. 
Uma, era-me muito chegada, a outra nem por isso. Mas por muito incrível que pareça, sinto a falta das duas. Acho até que sinto mais falta daquele de quem não era amiga.

A primeira foi um amigo meu. 
Com quem falei pelo telemóvel num dia de manhã e combinámos ligar-me mais à tarde, para continuarmos a nossa conversa. Despedimo-nos. A tarde passou, a noite surgiu de mansinho... o telefonema não foi feito... eu liguei, mas ninguém atendeu do outro lado... foi como se a conversa nunca tivesse existido.
Poderia ter havido sinais de que a nossa amizade estava a deteriorar-se... mas pelas suas últimas palavras... era algo impensável naquele momento.

A segunda foi alguém que praticamente toda a gente de Caldas da Rainha conhece.
Sim, estou a referir-me ao rapaz da flauta com o seu cão, o Conforto. A quem eu por graça gosta de chamar de Comfort.
Todas as semanas, à 6ª feira, seja de manhã ou de tarde, lá vou eu levar um mimo ao Comfort... e já agora levo sempre também qualquer coisa para o seu dono. Tabaco, sumos, sandes ou bolos e os snackes tão apreciados pelo Comfort... que mal eu dizia"hey Confort"... ele olhava-me nos olhos, lambia-se e vinha meter o nariz no saco, esperando pela sua gulodice. O rapaz da flauta, muito educado, agradecia humildemente e desejava-me uma vida feliz...sem saber ele que a minha vida nunca o poderá ser...

 Gosto muito de música, sempre gostei. Ando sempre com o MP3 nos ouvidos quando vou pela rua. E tiro propositadamente os "phones" quando passo por ele. A maior parte das vezes faz-me voltar à minha infância... à minha adolescência... com músicas simples que há já muitos anos não ouvia mas que me trazem boas recordações. Recordações de quando "eu" ainda podia ser "eu"... 

Na passada 6ª feira lá fui eu... mas eles não estavam. Procurei nos três lugares em que é habitual vê-los, mas nada.  
Todos os dias tenho passado por lá, mas o rapaz da flauta e o Comfort, nunca mais apareceram. 
Só espero... que tenham uma vida feliz!

Afinal, os que menos nos dizem, são aqueles que mais falta nos fazem... quanto ao meu amigo, ficam as lembranças.

Não, as pessoas não precisam de morrer para desaparecerem... se bem que por vezes é isso mesmo que acontece.

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